Sexta-feira 13 de manhã cedinho uma amiga me avisa sobre um cão que está encolhido tremendo perto do trabalho dela, no bairro Uberaba em Curitiba. Vou até lá, era um basset jovem, com no máximo 2 anos. Enfim, trago para casa. Por sorte tive a luz de separá-lo dos demais, logo vcs saberão por quê.
Coloco comida e água, percebo algo estranho no seu comportamento e logo deduzo que ele não enxerga bem... ou não enxerga nada. Saía contornando as paredes e batia a cabeça em todo canto. Para beber água foi um sacrifício, comer então nem se fale... começava a perder o equilíbrio, caía, levantava, pisava no pote, derrubava tudo, tentava comer do chão e não conseguia. Lá ia eu colocar tudo no pote de volta. Achei que pudesse estar machucado na boca, por isso a grande dificuldade de mastigar ração.
Fizemos uma comidinha com frango desfiado: novamente um parto para comer - por mais que tentasse a comida não entrava na boca. Magro de dar dó, mas não do tipo que está na rua há muito tempo. Coluna encurvada, rabo praticamente imobilizado... estava querendo não pensar no diagnóstico tentando imaginar que ele poderia ter sido atropelado enfim...até que as convulsões começaram. Não restaram dúvidas: o pobrezinho estava mesmo com cinomose.
A doença mais cruel que conheci até hoje já estava num estágio avançado e dali, sabíamos por experiência própria, não teria como retroceder. Levamos ao veterinário e optamos pela eutanásia... a decisão eternamente dolorosa - quem já teve que fazer isso sabe bem o que eu digo.
Enquanto tentamos nos consolar concluindo que pelo menos ele teve uns 2 dias de carinho e cuidados, nada me tira da mente a ideia de que alguém o abandonou recentemente. Doente, largado na rua para morrer. Sim, pq um cão nesse estado não consegue andar na rua, não consegue comer qualquer lixo que encontra e muito menos se proteger de outros cães e pessoas que passam na calçada.
No sábado à noite choveu, ele teria enfrentado o frio ao relento... me digam, que consegue fazer isso??
Pessoas ignorantes que não fazem ideia do sofrimento que causam. Pessoas sem escrúpulos que não conseguem ver valor na vida de um animal. Pessoas hipócritas que devem falar de bondade por aí enquanto descartam uma vida para definhar longe dos seus olhos.
Para essas pessoas, aviso que esse cão não teria morrido agora se estivesse na rua. Ele estaria ainda tremendo, ficando cego e surdo, sem conseguir comer, tendo convulsões uma atrás da outra, passando frio e com dificuldade de se movimentar. Ele ficaria assim por dias e dias até morrer esgotado.
Essa é, com certeza, mais uma conta que vai para o inferno. Se bem que acho que o inferno mesmo é aqui.
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terça-feira, 17 de maio de 2011
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Dia de luto
... é quando a força acaba, mas a gente não consegue acreditar...
Bye bye minha pequenininha, você foi realmente um anjo nas nossas vidas.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Doação não é descarte
Pessoal, relutei muito, mas sinto que é minha obrigação relatar essa história que virá a seguir.
Gente, essa é a Aika, a mais nova garotinha da minha família. Adotei-a com o diagnóstico de uma pneumonia em recuperação e acabei descobrindo que tinha Cinomose. Não era uma Cinomose desavizada. Era sabida, escondida. Um descaso que fez essa doce menina minguar, secar, sofrer, tremer, entristecer... É uma vida que estava sendo negada por negligência pura.
Agora já a amamos. E ela sabe. Espero que agora ela aprenda que ser amada é ser cuidada, acompanhada, alimentada, amparada. Porque agora ela pode ter uma crise no meio da noite. Terá alguém lá para dar o remédio certo, na hora certa. Não importa a hora, nem o preço do remédio, nem a reunião amanhã cedo.
Estou consciente de que talvez tenhamos chegado tarde demais. Mas no fundo acredito que ela, de tão boazinha, vai me obedecer e tratar de ficar viva.
Tempos atrás optei pela adoção de uma anjinha, mais uma para fazer parte da nossa grande família de patas e bigodes. Sem muitas exigências, apenas vi e me apaixonei. Não tinha mais volta.
E por não ter mais volta, não fui capaz de captar as ondas, eram meus sentidos tentando me avisar de algo importante. Eu não sabia que estava prestes a descobrir mais um tipo de descaso: o descarte. Este, enganado de cuidado, fantasiado de carinho, esconde o mais triste dos fantasmas humanos: a incomprensão. Incompreende-se a vida, incompreende-se os valores, incompreende-se principalmente o sentido do amor.
Assim, quando uma vida se torna um problema e você não é tão mau a ponto de jogá-la na rua, procura um novo fim para ela. Desde que se livre. Desde que não pareça que você não a quer. Desde que ninguem perceba que aquilo vai ser um problema.
Acontece que tem gente que não acha que os obstáculos da vida são um problema. Espero que os outros que restaram da ninhada, assim como a mirrada Aika, encontrem gente que compreenda. E simplesmente os respeitem como vidas.
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